“Jacques, o fatalista e seu amo”, de Denis Diderot.

“Jacques, o fatalista e seu amo”, de Denis Diderot.

 

 

 

 

 

Ítalo Calvino, no seu “Porque ler os clássicos” sugere a leitura de “Jacques, o fatalista e seu amo”, de Denis Diderot.

A história de Jacques e seu amo, saindo de nenhum lugar para lugar algum, sem motivos ou pressa pode parecer desinteressante como mote, porém, Diderot, usando o seu talento e um estilo inovador para a época, consegue prender o leitor e criar uma obra de arte da literatura. “Jacques …” é um anti-romance-metarromance-hiper-romance, como diria Calvino; histórias dentro de histórias, onde Diderot abusa das digressões, entrecortando-as, expandindo-as no tempo, despertando a nossa curiosidade e, dando-nos a falsa impressão de estar a participar e opinar, o que em seguida o autor contraria, colocando-nos nos nossos devidos lugares;  assim como o fatalismo de Jacques, ele mostra-nos que “estava escrito” e não temos escolha,  resta-nos ter paciência e acompanhar as desventuras dos amores de Jacques ou do amo (cujo nome não é revelado em  momento algum), da madame La Pommeraye, do padre Hudson, ou dos oficiais, que apesar de amigos, insistem em bater-se em duelos regularmente.

 

Com um estilo picaresco, como os roman comique da época, com histórias de vagabundagem em estradas e estalagens, este livro vai mais além mostrando uma outra visão de mundo e uma narrativa livre e errante, encadeando histórias e um intrincado conjunto de causas que irão determinar o destino dos personagens. Há uma inegável influência de “Tristam Shandy”, de Laurence Sterne, escrito pouco tempo antes, seja na forma ou no espírito, mas sem dúvida Diderot consegue usá-la positivamente, criando um enredo bem diverso das confusões familiares de Tristam. E pode-se encontrar convergência entre ambos no que se refere às influências literárias – o Don Quixote servia de modelo para os dois, assim como Gargantua e Pantagruel.

 

Quanto à história em si, é difícil relatar em poucas linhas e de forma interessante, até porque um dos trunfos do livro é a sua estrutura polifónica rabelaisiana. Os personagens principais, Jacques e seu amo, refletem um pouco da ideia de liberdade da obra, mostrando não só amizade entre eles, mas em certos momentos até alguma permissividade e alternância de papéis. O fatalismo de Jacques, ao contrário da esperada resignação ou passividade de um cordeiro, leva-o a dar provas de iniciativa e a jamais se dar por vencido, enquanto o amo, inclinado ao livre-arbítrio e a vontade individual, tende a deixar-se levar pelos acontecimentos com menos coragem que o criado.

 

Uma escrita cativante e dinâmica, que dá vontade de ler sem parar até o fim.

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