Bibliografia de Fernando Pessoa

[1902]

Julho – Pessoa publica o seu primeiro texto, com apenas 14 anos. O poema intitula-se “Quando a dôr me amargurar…” e é publicado no jornal “O Imparcial”, Ano II, N.º 433 a 18 de Julho.

[1904]

Julho –  Usando já o nome de um pseudónimo, Charles Robert Anon, Pessoa publica “Hillier did first usurp the realms of rhyme…” quando ainda em Durban, no “The Natal Mercury”, a 9 de Julho.
Dezembro –  Enquanto frequenta a High School em Durban, publica o ensaio com titulo “Macaulay” no “The Durban High School Magazine”, em Dezembro.
[1912]

Abril – Estreia como crítico literário. Publica o artigo A Nova Poesia Portuguesa Sociologicamente Considerada, na revista «A Águia», dirigida por Teixeira de Pascoaes.
Maio – Publica novo artigo na revista «A Águia», de nome Reincidindo…Os dois artigos provocam acesa polémica, sobretudo debatida no jornal «A República».
Outubro – Inicio da correspondência com Mário de Sá-Carneiro, que está já em Paris.
Novembro – Publica, em três números de «A Águia», um ensaio de nome A Nova Poesia no seu Aspecto Psicológico.
Neste mesmo ano – Colabora no Missal de Trovas de António Ferro e Augusto Cunha.

[1913]

Março – Publica, no dia 1, na revista «Teatro – Revista de Crítica», um artigo satírico intitulado Naufrágio de Bartolomeu, onde critica uma obra infantil de Lopes Vieira, membro do movimento da Renascença Portuguesa. No dia 8 (n.º 2 da mesma revista) ataca Manuel de Sousa Pinto num outro artigo de crítica literária. No dia 25 (n.º 3 da revista) passa em análise novas publicações literárias.
Abril – Publica em «A Águia», o artigo As caricaturas de Almada Negreiros, onde diz “Que Almada não é um génio – manifesta-se em não se manifestar”.
Julho – Publica em «A Águia», a prosa Na Floresta do Alheamento, que pertenceria mais tarde aos textos do Livro do Desassossego, que pessoa considerava então “em preparação”.
Novembro – Inicia uma colaboração com o jornal «Teatro – Jornal d’Arte», numa coluna chamada «Balança de Minerva». Para essa coluna escreve no dia 22 o artigo Aferição e no dia 29 o artigo Algumas considerações sobre a obra do Sr. João de Barros.
Dezembro – No dia 6, escreve para a coluna «Balança de Minerva» o artigo Palqueiros.

[1914]

Fevereiro – Publica no número único da revista «A Renascença» os poemas Pauis e O sino da minha aldeia sob o título geral de Impressões do Crepúsculo.
Abril –
No dia 7, responde a um inquérito sobre «qual é o mais belo livro português dos últimos trinta anos?» para o jornal «República». Fernando Pessoa considera a Pátria de Guerra Junqueiro como sua eleição, colocando-a mesmo à frente dos Lusíadas, como sendo – em conjunto com Fausto e Prometeu Libertado – parte da “trilogia de grandeza da poesia superlírica moderna”.
Setembro – Publica, na revista «O Raio», no dia 12, o texto humorístico em prosa Crónica Decorativa.
Neste mesmo ano – Reúne e traduz para inglês 300 provérbios portugueses, sob o título Three hundred Portuguese proverbs.

[1915]

Fevereiro – Pessoa colabora no número especial da revista «A Galera» de Coimbra, que sai no dia 25. Nesse número comemorativo de António Nobre, Pessoa colabora com um pequeno artigo denominado Para a memória de António Nobre.
Março – Sai o primeiro número da revista «Orpheu». Nesta publicação colabora Pessoa com textos importantes no todo da sua obra, nomeadamente com a Ode Triunfal e Opiário de Álvaro de Campos e o drama estático O Marinheiro do próprio Pessoa.
Abril – Publica no quotidiano «O Jornal», nos dias 8 e 11, respectivamente os artigos Excesso de disciplina e Excesso de Imaginação para a secção «Crónica da vida que passa», que Pessoa assinava. Para a mesma publicação escreve uma fábula chamada Rosa de Seda, que é publicada no dia 4. No dia 6 publica, em «O Jornal», uma nota sobre o primeiro número de «Orpheu». No dia 15 critica a novela O Varre Canelhas de António Leitão, também em «O Jornal». Na «crónica da vida que passa» escreve também artigos de carácter político, nos dias 5, 15, 18 e 21. Este último, por ter indignado a classe dos chauffeurs, leva a que Pessoa abandone a colaboração com «O Jornal».
Maio – Publica, no dia 13, no número único do panfleto clandestino «Eh Real!», o artigo provocatório O preconceito da ordem.
Junho – Sai o segundo e último número de «Orpheu». Pessoa colabora em seu próprio nome com Chuva Oblíqua e em nome de Álvaro de Campos com a Ode Marítima.
Julho – O jornal «A Capital» dirige fortes críticas a «Orpheu». Crítica que Pessoa vê como simultaneamente positiva – diz numa carta a Armando Côrtes-Rodrigues que a “tareia na 1ª página” é um bom reclame – e negativa, pois em nome de Álvaro de Campos envia uma carta de resposta à redacção do jornal.
Outubro – Critica o livro O Inquérito Cultural de Boavida Portugal, para o qual Pessoa também tinha colaborado, em «O Jornal».
Outubro/Novembro – Traduz de inglês o Compêndio de Teosofiade C. W. Leadbeater.
Neste mesmo ano – Escreve para «A Galera». Traduz de inglês as obra ocultistas Os ideais da Teosophia de Annie Besant, A Clarividência de C. W. Leadbeater e A Voz do Silêncio de Helena Blavatsky.

[1916]

Abril – Publica na revista «Exílio» o poema Hora Absurda e uma crítica intitulada Movimento Sensacionista. No dia 13 responde a um inquérito sobre a crise de Portugal, em «A Ideia Nacional», n.º 20. Em 26 de Abril suicida-se Mário de Sá-Carneiro, por envenenamento, no Hotel de Nice em Paris, deixando a Pessoa um bilhete que diz: “Um grande, grande adeus do seu pobre Mário de Sá-Carneiro”.
Dezembro – Publica no número único de «Centauro», os sonetos de Passos da Cruz.
Neste mesmo ano – Colabora ainda em “O Jornal”. Traduz do inglês as obras ocultistas: Auxiliares Invisíveis de C. W. Leadbeater e Luz sobre o Caminho e o Karma de M. C. Concluí com esta última tradução a sua colaboração para a colecção «Teosophica e Esotérica» da Livraria Clássica Editora.

[1917]

Novembro – Sai o número único de «Portugal Futurista», revista dirigida por Almada Negreiros, onde Pessoa publica o Ultimatum de Álvaro de Campos. O Ultimatum é uma reacção (necessariamente) retardada ao Ultimatum inglês de 1890. Neste número único, Pessoa publica ainda dois poemas de extrema importância: Episódios / A Múmia e Ficções do Interlúdio.

[1918]

Publica neste ano dois volumes de poemas em inglês: Antinous e 35 sonnets. Estes escritos chamam a atenção da crítica britânica do «Times» e do «Glasgow Herald» em Setembro.

[1919]

Maio – Publica, na «Acção», órgão do Núcleo de Acção Nacional, os artigos Como organizar Portugal (no n.º 1) e A opinião pública (n.º 2 e n.º 3).
Neste mesmo ano – Traduz, de inglês para português, Catarina a Camões de Elisabeth B. Browning.

[1920]

Fevereiro – Publica na revista «Ressurreição», n.º 9, o poema ortónimo Abdicação. Colabora no dia 27 deste mês com a ode À Memória do Presidente-Rei Sidónio Pais na «Acção».
Neste mesmo ano – Publica na revista inglesa «The Atheneum», o poema Meantime.

[1921]

Publica, na editora Olisipo que ele próprio fundou, os livros English Poems I e II e English Poems III. É também provavelmente deste ano a tradução de português para inglês do livro As canções de António Botto.

[1922]

Maio – Sai o primeiro número da revista «Contemporânea» – onde Pessoa iria publicar muitos textos importantes. Pessoa inicia a sua colaboração dando para este primeiro número a novela O Banqueiro Anarquista.
Julho – No número três da «Contemporânea», Pessoa colabora com o artigo António Botto e o ideal estético em Portugal.
Outubro – No número quatro da «Contemporânea», Pessoa colabora com poemas ortónimos: Mar Português. Álvaro de Campos com uma carta a José Pacheco, o director da revista. A carta de Campos pretendia criticar o artigo de Fernando Pessoa António Botto e o Ideal Estético, integrada na Discussão em Família.
Dezembro – No número seis da «Contemporânea», Pessoa publica o Soneto já antigo de Álvaro de Campos.

[1923]

Janeiro – Publica, no número sete da «Contemporânea», as Trois Chansons mortes.
Fevereiro – Publica, no número oito da «Contemporânea», Lisbon Revisited 1923 de Álvaro de Campos.
Outubro – Colabora na «Revista Portuguesa» com o artigo Futuro da Raça Portuguesa. Dá uma entrevista, no di a 13, na mesma revista, a António Alves Martins.
Neste mesmo ano – Participa, com um apêndice, no livro Entrevistas de Francisco Metello. Em defesa de Raul Leal e António Botto, que vêem obras suas serem apreendidas pela censura, Álvaro de Campos assina os opúsculos Sobre um manifesto de estudantes e Aviso por causa da moral. Participa ainda com uma introdução no livro Motivos de Beleza de António Botto.

[1924]

Outubro – Sai o primeiro número da revista de arte «Athena», dirigida pelo próprio Fernando Pessoa e por Ruy Vaz. Neste primeiro número, Pessoa publica a sua tradução do conto O Corvo de Edgar Allan Poe.
Novembro – Sai, no dia 3, uma entrevista de Pessoa, que fala sobre a «Athena», no «Diário de Lisboa». Pessoa publica no número dois da «Athena», os artigos Da antologia grega e O que é a metafísica, bem como a sua tradução do La Gioconda de Walter Pater. Neste mesmo número publica o comovente e sentido tributo ao seu irmão de arte Mário de Sá-Carneiro, num In Memoriam intitulado precisamente Mário de Sá-Carneiro.
Dezembro – Publica no número três da «Athena», o ensaio Apontamentos para uma Estética não-Aristotélica de Álvaro de Campos e os poemas Sacadura Cabral, Gládio e Mar Português. Ainda publica no mesmo número a sua tradução de A teoria e o cão e Os caminhos que tomamos, dois contos de O´Henry, assim como uma poesia ortónima.
Neste mesmo ano – Colabora na revista «Folhas de Arte» com o poema Canção.

[1925]

Janeiro – Publica no n.º 4 da «Athena» a sua tradução dos Poemas Finais Annabel Lee e Ulalume de Edgar Allan Poe
Fevereiro – Cessa a publicação da «Athena». Neste último número – o quinto – Pessoa incluí a sua tradução de A decisão de Georgia de O´Henry.
Março – Morre a mãe de Fernando Pessoa.

[1926]

Janeiro – Sai o primeiro número da «Revista de Comércio e Contabilidade», dirigida por Pessoa e pelo seu cunhado, que incluí um artigo de Pessoa intitulado A Essência do Comércio e outro apontamento sobre Os erros de empregados. Escreve ainda outro artigo, mas em colaboração com Francisco Caetano Dias, intitulado A inutilidade dos conselhos fiscais e dos comissários do governo nos bancos e nas sociedades anónimas, em que aborda a polémica Alves dos Reis, ocorrida em 1925. escreve ainda diversas notas e apontamentos sobre correspondência comercial e publicidade.
Fevereiro – Escreve o artigos Régie, Monopólio, Liberdade; Essência do Comércio e Algemas para o n.º 2 da «Revista de Comércio e Contabilidade».
Março – Colabora no n.º 3 da «Revista de Comércio e Contabilidade», com o artigo A Evolução do Comércio e com notas sobre correspondência comercial.
Abril – Escreve os artigos Organizar; Mandar, Organizar, Vencer e O arquivo de correspondência e uma nota dizendo que O verdadeiro processo é pensar e outra sobre as Espécies de comércio para o n.º 4 da «Revista de Comércio e Contabilidade».
Maio – É publicada no «Jornal do Comércio e das Colónias», uma resposta de Pessoa a um inquérito de natureza política. (curiosamente é no mesmo dia – 28 – em que é deposta a primeira República e é instaurada a ditadura). Escreve uma nota na «Revista de Contabilidade e Comércio» de nome Correspondência Comercial.
Setembro – Publica-se, no jornal «A Informação» do dia 17, a resposta de Álvaro de Campos a um inquérito literário.
Outubro – Inicia no dia 30 a tradução de O Caso da 5ª Avenida de A. K. Green, em folhetins, para o jornal «O Sol». Este trabalho estender-se-á até 1 de Dezembro deste ano, ficando incompleto por se ter interrompido a publicação do jornal. É publicado o n.º 6 da «Revista de Comércio e Contabilidade», que devia ter saído em Junho, mas cuja publicação foi atrasada devido à censura. Para este número, Pessoa escreve um extenso artigo chamado Os preceitos práticos em geral e os de Henry Ford em Particular. Publica ainda, no dia 30, no diário «O Sol», o texto Um grande Português, em que contava a origem do conto do vigário.
Neste mesmo ano – Publica na «Contemporânea» (n.º 1, 3ª série) o poema O Menino de sua Mãe. Colabora ainda na publicação «Portugal».

[1927]

Junho – Publica na revista «Presença», criada em Março, o poema Marinha. No n.º 5 publica um artigo intitulado Ambiente. Julho – Publica no jornal «O Imparcial», um artigo sobre Luís de Montalvor.
Neste mesmo ano – Colabora na publicação «O Imparcial».

[1928]

Setembro – Publica no «Notícias Ilustrado» o artigo Provincianismo Português.
Novembro – Redige a tábua biográfica de Mário de Sá-Carneiro, que faz incluir no n.º 16 da revista «Presença». Também neste número sai um poema de Pessoa, intitulado Depois da Feira.
Dezembro –Publica na «Presença» a sua Tábua Bibliográfica, na qual divide a sua obra em dois campos bem distintos: a dimensão heterónima e a dimensão ortónima.
Neste mesmo ano – Publica, no seu próprio nome, pelo Núcleo de Acção Nacional, o panfleto O Interregno – Defesa e Justificação da Ditadura militar em Portugal.

[1929]

Abril – Colabora no «Notícias Ilustrado», no dia 14, como uma passagem de grande inspiração sobre O fado e a alma portuguesa.
Neste mesmo ano –Organiza e edita uma Antologia de Poemas Portugueses Modernos, em parceria com António Botto. Na «Solução Editora» publica vários fragmentos do Livro do Desassossego.

[1930]

Maio – Colabora no catálogo do I Salão dos Independentes, uma exposição de autores modernistas, em nome de Álvaro de Campos.
Junho – Publica, no n.º 27 da «Presença», excertos do Livro do Desassossego.
Outubro – A propósito do desaparecimento misterioso do mago inglês Aleister Crowley na Boca do Inferno, em Cascais, Pessoa é entrevistado para o «Notícias Ilustrado» do dia 5. Tratava-se de um embuste combinado entre Pessoa e Crowley, com a “cumplicidade” de Augusto Ferreira Gomes.
Dezembro – Pessoa dá nova entrevista, sobre o mesmo caso, à revista «Girassol», na edição do dia 16.

[1931]

Janeiro – Publica na «Presença» o poema VIII de O Guardador de Rebanhos de Alberto Caeiro, com uma Evocação Memorialista de Álvaro de Campos.
Maio – Publica na «Presença» a sua tradução do inglês do Hino a Pã – O Mestre Therion de Aleister Crowley.
Novembro – No n.º 34 da «Presença» publica excertos do Livro do Desassossego.
Neste mesmo ano – Colabora na revista «Descobrimento» com excertos do Livro do Desassossego.

[1932]

Novembro – Publica na revista «Fama», dirigida por Augusto Ferreira Gomes, o artigo O Caso Mental Português. Neste mesmo mês colabora na revista «Presença» com o poema Autopsicografia.
Neste mesmo ano – Escreve o prefácio do livro Alma Errante de Eliezer Kamenezky. Colabora nos livros Acrónios de Luís Pedro e Cartas que me foram devolvidas de António Botto.

[1933]

Março – Saí na publicação «Fama», no dia 10, um artigo de Pessoa sobre a Colónia Balnear de S. João do Estoril intitulado O que um milionário Americano fez em Portugal.
Neste mesmo ano – Colabora no livro António, «Novela Dramática» de António Botto, com um apêndice.
Fernando Pessoa copia ainda o original do livro de poemas Indícios de Oiro de Mário de Sá-Carneiro, preparando-o para ser editado na «Presença». No entanto a edição será póstuma, em 1937.

[1934]

Fevereiro – É publicada no «Diário de Lisboa» do dia 14, uma entrevista com Pessoa, sobre a Mensagem. Em conjunto são publicados três poemas da Mensagem com ilustrações de Almada Negreiros.
Maio – Publica na «Presença» a poesia Eros e Psique que tem uma epígrafe curiosa, que se refere explicitamente a uma Ordem Templária de Portugal.
Outubro – Publica a Mensagem, com a qual concorre ao prémio Antero de Quental do Secretariado de Propaganda Nacional (SPN).
Dezembro – No dia 1 é posta à venda a Mensagem.
Neste mesmo ano – Prefacia o poema O Quinto Império de Augusto Ferreira Gomes. Colabora em «O Mundo Português».

[1935]

Janeiro – Escreve um artigo sobre o livro A Romaria de Vasco Reis, livro que tinha ficado à frente da Mensagem no concurso do SPN. A sua crítica, honesta e subtil, parece prova evidente de que não guardara rancores do prémio que lhe fora a ele mesmo concedido.
Fevereiro – Publica no «Diário de Lisboa» o artigo Associações Secretas.
Março – Publica no «Diário de Lisboa», um artigo sobre António Botto.
Novembro – Escreve para o n.º 3 da revista «Sudoeste», dirigida por Almada Negreiros. Nesse número incluí um editorial intitulado Nós, os de Orpheu e uma Nota ao acaso de Álvaro de Campos.
Neste mesmo ano – Colabora nas publicações «O Mundo Português» e «Momento». Escreve um artigo para o «Diário de Lisboa», sobre o fascismo, que no entanto é cortado pela Comissão de Censura.

Dia 29 de Novembro de 1935 – Escreve a lápis a sua última frase: “I Know not what tomorrow will bring” (“Amanhã a estas horas onde estarei?”, foi uma das suas últimas frases). Morre no dia 30, ás 20:30.

Publicações póstumas

Obras Completas, da Editora Ática (fundada por Luís de Montalvor):

– Poesia –

Volume I – Fernando Pessoa, Poesias, 1ª edição, 1942. (notas de Luís de Montalvor e J. G. Simões)
Volume II – Álvaro de Campos, Poesias, 1ª edição, 1944.
Volume III – Alberto Caeiro, Poemas, 1ª edição, 1946. (notas de Luís de Montalvor e J. G. Simões)
Volume IV – Ricardo Reis, Odes, 1ª edição, 1946.
Volume V – Fernando Pessoa, Mensagem, 1ª edição, 1945.
Volume VI – Fernando Pessoa, Poemas Dramáticos, 1ª edição, 1952. (nota de Eduardo Freitas da Costa).
Volume VII – Fernando Pessoa, Poesias Inéditas (1930-1935), 1ª edição, 1955. (nota de Jorge Nemésio).
Volume VIII – Fernando Pessoa, Poesias Inéditas (1919-1930), 1ª edição 1956. (notas de Vitorino Nemésio e Jorge Nemésio).
Volume IX – Fernando pessoa, Quadras ao Gosto Popular, 1ª edição, 1965. (prefácio de Georg R. Lind e Jacinto Prado Coelho).
Volume X – Fernando Pessoa, Novas Poesias Inéditas, 1ª edição, 1973.
Volume XI – Fernando Pessoa, Poemas Ingleses, 1ª edição, 1974. (notas de Jorge de Sena).

– Prosa –

Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, 1ª edição, 1966.
Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, 1ª edição, sem data.
Textos Filosóficos, 2 volumes, 1ª edição, 1968. (prefácio de António de Pina Coelho)
Cartas de amor, 1ª edição, 1978.
Sobre Portugal, 1ª edição, 1979.
Da República, 1ª edição, 1979.
Textos de Crítica e de Intervenção, 1ª edição, 1980.
Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 1ª edição, 1980.
Livro do Desassossego por Bernardo Soares, 2 volumes, 1ª edição, 1982.

– Antologia –

O Rosto e as Máscaras, 1ª edição, 1978.

De outros Editores:

– Obras Unitárias –

À memória do Presidente-Rei Sidónio Pais, Ed. Inquérito, 1940.
O Banqueiro Anarquista, Ed. Antígona, 1981.
«Um Jantar muito original» e «A Porta», Ed. Relógio d’Água, sem data.
O Guardador de Rebanhos, Ed. Dom Quixote, 1986.
Fausto – Tragédia Subjectiva (fixação do texto por Teresa Sobral Cunha), Ed. Presença, 1988

– Antologias de Poesia –

Poesia de Fernando Pessoa, 2 volumes, Ed. Confluência, 1942.
Poemas Inéditos destinados ao n.º 3 de Orpheu, Ed. Inquérito, 1953.
Poesia de Fernando Pessoa, Ed. Agir, Rio de Janeiro, 1957.
Obra Poética, Aguilar Editora, Rio de Janeiro, 1965.

– Antologias de Prosa –

A Nova Poesia Portuguesa, Ed. Inquérito, 1944.
Páginas de Doutrina Estética, Ed. Inquérito, 1946.
Fernando Pessoa, Ed. Panorama, 1960.
Textos para Dirigentes de Empresas, Ed. Cinevoz, 1969.
Obras em Prosa, Ed. Aguilar, Rio de Janeiro, 1982.
Antologias de Petrus (Pedro Veiga):

Crónicas Intemporais, Centro de Estudos Pessoanos (CEP), Col. Tendências, Porto, sem data.
Sociologia do Comércio, CEP, Col. Antologia, Porto, sem data.
Elogio da Indisciplina e Poemas Insubmissos, CEP, Col. Documentos Políticos, Porto, sem data.
O Encoberto, Ed. Parnaso, sem data.
Hyram, CEP, Sol. Tendências, Porto, sem data.
Mar Português, Ed. Parnaso, Porto, sem data.
Regresso ao Sebastianismo, com outros autores, Porto, sem data.
Análise da Vida Mental Portuguesa, Ed. Cultura, Col. Universo, Porto, sem data.
Poemas Ocultistas, CEP, Porto, sem data.
Exórdio em prol da Filantropia e da Educação Física, Ed. Cultura, Porto, sem data.
Vida e Destino da Poesia Portuguesa, Ed. Cultura, Porto, sem data.
O Interregno, CEP, Col. Documentos Políticos, Porto, sem data.
Nas encruzilhadas do Mundo e do Tempo, Ed. Parnaso, Porto, sem data.
Ultimatum de Álvaro de Campos, Ed. Cultura, Porto, sem data.
Defesa da Maçonaria, CEP, Col. Documentos para a História, Porto, sem data.
A Maçonaria, Porto, sem data.
Apologia do Paganismo, Ed. Cultura, Porto, sem data.
Ensaios Políticos, CEP, Ed. Acrópole, Porto, sem data.
Apreciações Literárias, Ed. Cultura, Col. Arcádia, Porto, sem data.
Aforismos e Reflexões, Ed. Parnaso, Porto, sem data.
Almas e Estrelas, Ed. Parnaso, Porto, sem data.
Distância Constelada, Ed. Parnaso, Porto, sem data.
Lugares não-geográficos da Literatura, Ed. Parnaso, Porto, sem data.

– Epistolografia –

Carlos Queirós, Homenagem a Fernando Pessoa, Ed. Presença, Coimbra, 1936.
Ofélia Queirós, Cartas de amor de Ofélia a Fernando Pessoa, Assírio & Alvim.
Cartas de Fernando Pessoa a Armando Côrtes-Rodrigues, Ed. Confluência,
Vinte cartas de Fernando Pessoa a Álvaro Pinto, in Ocidente, volume XXIV, n.º 80, 1944.
Cartas de Fernando Pessoa a João Gaspar Simões, Publicações Europa-América, 1957.

Edições de bolso das Publicações Europa-América:
(Introduções e Organização de António Quadros, 1986-1987)

– Obra Poética –

435 – Mensagem e Outros Poemas Afins
436 – Poesia – I (1902-1929)
437 – Poesia – II (1930-1933)
438 – Poesia – III (1934-1935)
439 – Poemas de Alberto Caeiro
440 – Odes de Ricardo Reis
441 – Poesia de Álvaro de Campos

– Obra em Prosa –

466 – Escritos Íntimos, Cartas e Páginas Autobiográficas
467 – Textos de Intervenção Social e Cultural – A Ficção dos Heterónimos
468 – Livro do Desassossego por Bernardo Soares – 1ª parte
469 – Livro do Desassossego por Bernardo Soares – 2ª parte
470 – Ficção e Teatro – O Banqueiro Anarquista, Novelas Policiárias, O Marinheiro e Outros
471 – A Procura da Verdade Oculta – Textos Filosóficos e Esotéricos
472 – Portugal, Sebastianismo e Quinto Império
473 – Páginas de Pensamento Político – I. 1910-1919
474 – Páginas de Pensamento Político – II. 1925-1935
475 – Páginas sobre Literatura e Estética

Edições da Assírio & Alvim

Mensagem
A Hora do Diabo
A Língua Portuguesa
Livro do Desassossego, Bernardo Soares (volume único)
Ficções do Interlúdio
Correspondência (1905-1922)
Correspondência (1923-1935)
A Educação do Estóico, Barão de Teive
O Banqueiro Anarquista
Poesia, Alexander Search
Poesia Inglesa I
Poesia Inglesa II
Crítica
Heróstrato e a Busca da Imortalidade
Poesia de Álvaro de Campos
Poesia de Alberto Caeiro
Poesia de Ricardo Reis
O Melhor do Mundo São as Crianças: antologia de poemas e textos de Fernando Pessoa para a infância, org. Manuela Nogueira

Edições da Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM)

Volumes da Série Maior

I.Poemas de Fernando Pessoa
tomo I: até 1914 (em publicação)
tomo II: 1915-1920 (publicado)
tomo III: 1921-1930 (publicado)
tomo IV: 1931-1933 (publicado)
tomo V: 1934-1935 (publicado)
Mensagem e Poemas Publicados em Vida (em publicação)
Quadras (publicado)
Rubai e Rubaiyat (em publicação)

II. Poemas de Álvaro de Campos (publicado)

III. Poemas de Ricardo Reis (publicado)

IV. Poemas de Alberto Caeiro (em publicação)

V. Poemas Ingleses
tomo I: Antinous, Inscriptions, Epithalamium, 35 Sonnets (publicado)
tomo II: Poemas de Alexander Search (publicado)
tomo III: The Mad Fiddler (publicado)

VI. Obras de António Mora (publicado)

VII. Génio e Loucura (publicado)

VIII. Obras de Jean Seul de Méluret (publicado)

Volumes da Série Menor

Um volume de Poemas de Álvaro de Campos.

Volumes da Série Branca (estudos)

Correspondência com os directores da presença

Editar Pessoa.

 

Anotações:

(1) «A Águia». Revista lançada no Porto em 1910, que será órgão do movimento da Renascença Portuguesa, e que tem por director Teixeira de Pascoaes, um dos “cabecilhas” desse movimento intelectual.

(2) A Renascença Portuguesa. Foi um movimento de “regeneração nacional” lançado no Porto em 1912 por nomes como Teixeira de Pascoaes e Leonardo Coimbra. Movimento que tenta trazer de volta os momentos de grandeza da pátria, um ideal que Pessoa guardará toda a sua vida. De referir que o símbolo da Renascença Portuguesa era precisamente uma águia em voo.

(3) Orpheu. Revista trimestral de literatura, fundada com o dinheiro do pai de Mário de Sá-Carneiro e dirigida – no primeiro número – por Luís de Montalvor (Portugal) e Ronald de Carvalho (Brasil), tendo por editor António Ferro. A revista, que teria apenas dois números (um em Abril e um em Julho), causaria no entanto grande sensação, marcando o início do modernismo em Portugal. No segundo número, além de participarem com textos, Fernando Pessoa e o seu grande amigo Mário de Sá-Carneiro eram eles próprios directores.

(4) Sidónio Pais. A figura de Sidónio Pais, Presidente da República Portuguesa durante apenas um ano (1917-1918), impressionou Fernando Pessoa, que viu nele a incarnação dos seus ideais messiânicos. Em Sidónio, Pessoa viu – ou pelo menos quis ver – o regresso do Encoberto, de D. Sebastião. No entanto o assassinato daquele em 14 de Dezembro de 1918 levou Pessoa a considerá-lo um falso D. Sebastião, como outros antes dele o tinham sido. No entanto, durante os anos de 1918 e 1919, Pessoa escreveu algumas páginas para um livro que se intitularia O Sentido do Sidonismo, pelo que é evidente que o fascínio pela figura de Sidónio se manteve mesmo depois da ocasião do assassinato.

(5) Editora Olisipo. Antes desta experiência, já em 1907, com o dinheiro recebido em herança pela morte da sua avó Dionísia, Pessoa tinha montado uma tipografia/editora em Portalegre – a «Empresa Ibis» – que no entanto funcionou pouco tempo. A editora Olisipo funciona o tempo suficiente para nela Pessoa publicar os seus English Poems, assim como obras de Botto e Almada.

(6) Annie Besant. Feminista do Século XIX, dirigente da Sociedade Teosófica de Londres. (Ver Teosofia).

(7) A «Contemporânea». Revista dirigida por José Pacheco, que pertencia ao “grupo” dos modernistas. O lançamento desta revista foi uma tentativa de reconstruir o grupo de «Orpheu», mas uma tentativa, na perspectiva de Pessoa, completamente falhada. Pessoa revela essa decepção numa carta a Armando Côrtes-Rodrigues datada de 4 de Agosto de 1923.

(8) A «Athena». Depois do modernismo tumultuoso de «Orpheu», a «Athena» é o regresso de Pessoa a um interesse sempre presente pelo classicismo, imanente ao heterónimo Ricardo Reis.

(9) Mário de Sá-Carneiro. Em 1907, tendo apenas 19 anos, Pessoa escreve no seu diário: “Um amigo íntimo é um dos meus ideais, um dos meus sonhos quotidianos, embora esteja certo que nunca chegarei a ter um verdadeiro amigo íntimo”. Sá-Carneiro tinha apenas menos dois anos que Pessoa (tinha nascido em 1890) e por isso pertencia à mesma geração deste. Era aliás aquele do “grupo” que frequentava Pessoa com o qual este sentia maior proximidade intelectual, embora estivesse muito tempo distante, em Paris. Verdadeiro amigo íntimo? Não se sabe. Talvez apenas a distância e a curta existência de Sá-Carneiro (26 anos) o evitassem. O certo é que a morte de Sá-Carneiro perturbou decisivamente Fernando Pessoa, talvez ao ponto de o fazer rever a direcção que tomava a sua própria vida. O efeito psicológico imediato é visível nas cartas a Armando Côrtes-Rodrigues, datadas de 4 de Maio e 4 de Setembro de 1916. Mais distante, mas não menos intensa, é a lembrança que faz ainda de Sá-Carneiro num poema incompleto, datado de 1934 (um ano antes da sua própria morte), onde escreve: Como éramos só um, falando! Nós/Éramos como o diálogo numa alma/Não sei se dormes calma/Sei que, falho de ti, estou um a sós; e ainda: Ah, meu maior amigo, nunca mais/Na paisagem sepulta desta vida/Encontrarei uma alma tão querida/Ás coisas que em meu ser são as reais.

(10) A «Revista de Comércio e Contabilidade». Dirigida em parceria com o seu cunhado Francisco Caetano Dias, nesta revista Pessoa colabora durante alguns anos com artigos sobre uma realidade que lhe era próxima – a da vida burocrática dos escritórios comerciais, que a meu ver influiu decisivamente na escrita do Livro do Desassossego.

(11) Inquérito de Augusto da Costa sobre o tema «Portugal – Vasto Império». O jornalista Augusto da Costa colocou este inquérito a figuras de renome da época, entre as quais Fernando Pessoa. Na resposta, Pessoa coloca a hipótese de Portugal enquanto grande potência cultural, geradora do Quinto Império de que se fala na Bíblia e nas obras do padre António Vieira, de Camões e de Bandarra. Trata-se de uma resposta algo hermética, mas de certo modo também profética, pois em certo ponto diz Pessoa: “Para o destino que presumo será o de Portugal, as colónias não são precisas”. Em 1926 só um pensador como Pessoa poderia arriscar prever um futuro imperialista sem as colónias do Ultramar… Prevendo o ainda não realizado Imperialismo Cultural Português.

(12) A «Presença». Folha de arte e crítica dirigida por João Gaspar Simões, José Régio e Branquinho da Fonseca.

(13) O desaparecimento de Aleister Crowley na Boca do Inferno. O sentido de humor de Fernando Pessoa é muitas das vezes ignorado. Na realidade ele parece ter apreciado sobremaneira os embustes subtis aos amigos, as famosas blagues (petas, mentiras, aldrabices…). O mais elaborado embuste terá sido o relacionado com Aleister Crowley, um conhecido mágico inglês. Pessoa escreveu-lhe a indicar um erro num horóscopo e depois de algumas cartas, o mágico veio a Portugal conhecê-lo. Chega a 2 de Setembro de 1930 a Lisboa. Gera-se uma grande cumplicidade entre os dois, na qual está também envolvido Augusto Ferreira Gomes, que era ocultista. Combinam o espectacular desaparecimento de Crowley na Boca do Inferno em Cascais, gerando grande alarido nos jornais nacionais e estrangeiros e com a própria polícia. Tudo, no entanto, não passara de uma brincadeira elaborada.

(13) Poema VIII do Guardador de Rebanhos. Trata-se de uma porção polémica do poema Guardador de Rebanhos, em que Pessoa fala de Jesus Cristo e da Trindade. No poema VIII, Jesus Cristo foge do céu tornando-se novamente menino, para viver numa aldeia, feliz como não era lá em cima. Alberto Caeiro, «O Mestre», era defensor de um regresso ao paganismo, de uma recusa da metafísica como coisa necessária. Para Caeiro – usando as palavras de Agostinho da Silva no seu Um Fernando Pessoa – deve-se evitar o caminho difícil e angustioso do filosofar, pois descobre-se o mesmo sem a filosofia, mas não incorrendo na amargura de dissecar em cadáver o que era vivo. O ponto de vista estritamente natural, sobretudo no que diz respeito a Jesus Cristo e à Trindade, é algo que Pessoa talvez evitasse colocar em seu próprio nome – escrever sobre isso com a capa de Caeiro é evitar a celebridade odiada e plebeia.

(14) Alma Errante de Eliezer Kamenezky. Kamenezky era um judeu Russo, que se estabeleceu como alfarrabista em Lisboa. Era também poeta e frequentador dos meios literários e artísticos da cidade, onde terá conhecido Pessoa. Este prefaciou este seu livro, elaborando nesse prefácio um dos mais importantes ensaios sobre a Maçonaria, os Judeus e os Rosa-Cruzes.

(15) A Mensagem. A Mensagem foi a única das principais obras de Fernando Pessoa publicada em vida deste. É um poema épico, mas de proporções de certo modo inversas ás dos Lusíadas de Camões. Não é tão extenso, nem tão elaborado ou lírico como a obra máxima de Camões, mas é infinitamente mais complexo e hermético. A Mensagem parece ser um comunicado solene e não uma celebração de glórias passadas, onde o poeta pretende que se revele, não emoção, mas a “razão na poesia”. Trata-se de um ensaio poético sobre a decadência e o necessário renascimento da alma Lusitana. Envolta em alguma polémica foi a forma como a obra foi premiada no concurso a que Pessoa com ela concorreu em 1934. O prémio Antero de Quental, no valor de 5000$00, destinava-se a premiar uma obra poética de intenção nacionalista. A Mensagem não ganhou a primeira categoria, na que saiu vencedora a Romaria de Vasco Reis, padre Franciscano, missionário em Moçambique. Apenas por intervenção pessoal de António Ferro – amigo próximo de Pessoa – se atribuiu à Mensagem um prémio do mesmo valor, mas numa segunda categoria, visto que a obra não respeitara o número de páginas para concorrer à primeira categoria. Mas mais importante do que isso, foi Pessoa ter visto publicada a Mensagem, que para ele consistiu no início deslumbrante da sua missão Universal: a união fraternal de todos os homens numa civilização cultural que teria o seu inicio pelas mãos de portugueses presentes e futuros.

(16) O Quinto Império. A ideia do Quinto Império surge na Bíblia, no livro de Daniel, em que este profeta analisa um sonho tido por Nabucodonosor, rei da Babilónia. O sonho era o seguinte: uma enorme estátua com cabeça de ouro fino, o peito e os braços de prata, o ventre e as ancas de bronze e as pernas metade de ferro e metade de barro, destruída por uma pedra que logo se transformou numa alta montanha enchendo toda a Terra. A interpretação de Daniel foi: Tu (o rei) é que és a cabeça de ouro. Depois de ti surgirá um outro reino menor do que o teu; e depois um terceiro reino, o de bronze, que dominará toda a Terra. Um quarto reino será forte como o ferro, vindo a esmagar todos os outros, mas sendo de ferro e argila não aguentará para sempre. a pedra que destroí os quatro metais ou quatro reinos simboliza o reino que o Deus do Céu fará aparecer, um reino que jamais será destruído e cuja soberania nunca passará a outro povo. (Daniel, 2). No prefácio, Pessoa coloca as interpretações dadas a estas palavras herméticas. Diz que a interpretação clássica – a dos impérios materiais – coloca os impérios nesta ordem: Babilónia, Pérsia, Grécia, Roma, Inglaterra. A interpretação judaica, porém, considera o Quinto Império como sendo Israel. Os Impérios espirituais, porém, já se ordenariam da seguinte maneira: Grécia, Roma, Cristandade, Europa, Portugal. Antes de Pessoa já Camões e o padre António Vieira (na sua História do Futuro), tinham tido esta mesma perspectiva.

(17) Teosofia. Religião mística, fundada por Helena Petrovna Blavatsky em 1875 na cidade de Nova Iorque. A Sociedade Teosófica tinha por objectivos a promoção da fraternidade universal, o estudo das grandes religiões do mundo, das grandes filosofias e ciências, assim como a investigação das leis desconhecidas da natureza e dos poderes psíquicos. As principais obras de H. P. Blavatsky foram Isis Unveiled (2 volumes, 1877), The Secret Doctrine (1888), The Key to Theosophy e The Voice of Silence (ambas de 1889). Blavatsky viria a morrer em 1891, com sessenta anos de idade, tida por muitos como um dos impostores mais completos, engenhosos e interessantes da história. No entanto, é de relevo a influência que as ideias de Madame Blavatsky tiveram na ideologia nazi, com a sua teoria das “raças de raiz”, na qual falava da evolução humana desde seres hiperbóreos, passando pelos habitantes das civilizações perdidas da Lemúria e Atlântida até aos seres humanos actuais. As suas teorias filosóficas, porém, eram algo confusas, combinando a Cabala, Agrippa, Pitágoras, budismo, hinduísmo e taoísmo. Talvez o que tenha atraído Pessoa seja a vertente espírita, contraposta frontalmente a um qualquer dogmatismo religioso. Pessoa teve ele próprio experiências sobrenaturais, tais como fenómenos de escrita automática e mediunidade (relatada em carta à Tia Anica, datada de 24 de Junho de 1916).

(18) Sobre o Fascismo. Os anos 20 e 30 são anos conturbados para a vida política nacional. A experiência da Primeira República (1910-1926) é sobretudo marcada por uma convulsão constante, de uma constante vontade de mudar quem está com as rédeas do poder. Com o fim da Grande Guerra, a instabilidade política e económica levou a que uma asa intelectual da sociedade clamasse pela ditadura, para se pôr ordem no país, com o exemplo mais fulgurante das iniciativas da «Seara Nova». Pode-se compreender agora um pouco melhor – embora fosse necessário um estudo mais aprofundado e extenso do que este – como Fernando Pessoa dá o “benefício da dúvida” à ditadura, com a publicação do seu Interregno em 1928. O título quer dizer isso mesmo – esperava-se o que o espaço de tempo que levava a instaurar um novo regime político poderia trazer. Longe portanto de ser um fascista, ou sequer um defensor do fascismo, Pessoa rapidamente se arrepende de defender a ditadura. Previa editar uma nova edição do Interregno, por volta do ano de 1932. A seu ver o perído de experiência – o Interregno – tinha terminado negativamente. Agudizou-se a separação entre o que Pessoa desejava para o país – Pessoa era afinal um idealista prático, um profeta com profecias prontas à acção – e o que o regime tinha em mente. A separação, em 1935, parece já terminal, vendo Pessoa claramente que a Censura seria uma enorme obstrução à produção literária livre em Portugal. O ódio “corporiza-se” em Salazar. Pessoa escreve: “Coitadinho/Do tiraninho!/Não bebe vinho/Nem sequer sozinho…/Bebe a verdade/E a liberdade./E com tal agrado/Que já começaram/A escassear no mercado./Coitadinho/
Do tiraninho!/O meu vizinho/Está na Guiné/E o meu padrinho/No Limoeiro/Aqui ao pé./Mas ninguém sabe porquê.

(19) A Discussão em Família. A criação dos heterónimos como sendo personalidades separadas no tempo e no espaço, levou – num passo seguinte – a que Pessoa considerasse, que no entretanto da evolução das obras de cada um, houvesse lugar a discussões literárias, políticas, filosóficas… Pessoa ele mesmo, qual Deus ex machina intervia quase como provocador de polémica entre todos, ou então na condição de conciliador. É fácil de ver como estas polémicas aprofundariam, com o passar do tempo, as diferenças entre os heterónimos, marcando cada uma das suas personalidades individuais de modo cada vez mais inexorável e irreversível.

 in umfernandopessoa.com
Anúncios

Sobre LOGOS - Filipa e Kika

ACTIVIDADES -Explicações Individuais e Grupo -Preparação Exames Nacionais -Preparação dos Exames dos 23 anos -Preparação Alunos de CLIL (Colégios De Língua Inglesa) - Trabalhos Universitários -Traduções DISCIPLINAS Matemática Físico-Química Geometria Descritiva Português Inglês Espanhol Filosofia História de Arte
Esta entrada foi publicada em Uncategorized com as etiquetas . ligação permanente.