Metaficção

Designação pela qual se tornou conhecido um conjunto de escritores americanos do pós-II Guerra Mundial (John Hawkes, William Gadis, Vladimir Nabokov, John Barth, Thomas Pynchon, Donald Barthelme, entre outros ) que, apesar de possuírem estilos distintos , convergiam quer numa dimensão experimental quer na busca de uma narrativa fundada numa metalinguagem , uma ficção fundada na elaboração de ficções. A metaficção surge numa tentativa de superar o peso das tradições regionalistas e realistas na literatura americana. Deste modo, conceberá como objectivo imediato a subversão dos elementos narrativos canónicos – intriga, personagens, acção-, tendo como estratégia final a elaboração de um jogo intelectual com a linguagem e com a memória literária e artística. O termo metaficção foi introduzido por William H.Gass, vindo na sequência de outras designações, como fabulation ou surfiction que pretendiam definir esta nova atitude. Gass explora aquilo que considera ser a ausência de conexão entre a linguagem e a realidade, e a dimensão sensorial da leitura. Em Willie Master’s Lonesome Wife (1968), estes postulados teóricos e o experimentalismo do autor conhecem o seu momento mais radical através da inclusão de inserts visuais (fotografias), de diferentes cores e registos de impressão, assim como de diferentes texturas. Idêntica atitude face a uma desconexão entre realidade e linguagem está no cerne das estratégias ficcionais de Thomas Pynchon (The Crying of Lot 49, 1966), ficcionista que, negando a virtualidade positiva da linguagem e do sujeito, se debate com a ausência de um centro unificador. Diferente será a postura de Donald Barthelme que tenta encontrar na imaginação o poder unificador que lhe permita superar a fragmentação das sociedades contemporâneas. Em Barthelme, o humor com que utiliza personagens e géneros distintos poderá constituir uma forma de superação da dimensão trágica coeva. Em Lolita (1955), sua obra emblemática, Vladimir Nabokov explora o carácter cómico da tragédia humana através da de Humbert Humbert, simultaneamente denegando um vector fundamental da cultura americana, a inocência. Já John Barth fará da introspecção do sujeito o núcleo da narrativa. Em todos eles, a noção de jogo será, afinal, o centro da estratégia criativa.

Bibliografia

Inger Christensen: The Meaning of Metafiction: A Critical Study of Selected Novels by Sterne, Nabokov, Barth and Beckett (1981); Larry McCaffery: The Metafictional Muse (1982); Frederic Jameson: “Metacommentary”, PMLA, 86 (1971); Linda Hutcheon: Narcissistic Narrative: The Metafictional Paradox (1980); Mark Currie (ed.): Metafiction (1995); Margaret Rose: Parody//Metafiction (1979); Neil Schmitz: “The Hazards of Metafiction”, Novel: a Forum on Fiction, 7, 3 (1974); Patricia Waugh: Metafiction: The Theory and Practice of Self-Conscious Fiction (1984); Raymond Federman: Surfiction: Fiction Now… and Tomorrow (1975); Robert Scholes: Fabulation and Metafiction (1979); W. Hicks: The Metafictional City (1981).

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